Relações Comerciais

A corrente de comércio entre Itália e Brasil encerrou 2019 em USD 7,19 bilhões, valor que representa 1,79% da corrente comercial brasileira. O resultado faz os italianos subirem uma posição entre  os principais parceiros comerciais do Brasil, passando da 11º verificada nos dois últimos anos, para a 10º posição. Apesar disso,  o comércio entre os dois países diminuiu 10,87% em relação a 2018, quando registrou a importância de USD 8,07 mld, maior valor do triênio 2017-209.

Entre os países europeus, os italianos colocam-se na terceira posição, depois de Alemanha (3,73%) e Holanda (3,05%), que também registraram perdas importantes em relação a 2018, respectivamente de 4,77% e de 16,86%, alinhadas com a menor abertura ao comércio internacional dos brasileiros em 2019, que registrou queda de 4,22% em relação ao ano anterior.

Tanto importações brasileiras de produtos provenientes da Itália, quanto exportações de produtos brasileiros para a Itália registraram quedas. No primeiro caso, passaram de USD 4,51 bilhões em 2018 para USD 4,04 em 2019, registrando queda de 10,46%. No que se refere às exportações de produtos brasileiros para a Itália,  passaram de USD 3,55 bilhões para 3,15 bilhões, com uma diminuição de 11,4%.

Respondendo por 1,4% das exportações brasileiras, a Itália foi o 13º principal mercado de produtos brasileiros no exterior em 2019 e quinto maior entre os países europeus, atrás de Holanda (4,49%), Alemanha (2,1%), Espanha (1,79%) e Bélgica (1,42%).

As principais categorias de produtos que o Brasil exportou em 2019 para a Itália foram pastas químicas de madeira, à solda ou ao sulfato (20,1%), café (14,98%), ouro (7,1%), ferro e aço (6,68%), peles e couros (6,22%), minério de ferro (5,81%) e carne bovina (4,50%).

Entre os principais países fornecedores do Brasil, a Itália figura  na 9º posição, participando em 2,28% das importações brasileiros de 2019. Entre os países europeus, destaca-se na segunda posição, atrás da Alemanha (5,8%).

As principais categorias de produtos importadas da Itália pelos brasileiros são máquinas, aparelhos, instrumentos mecânicos e suas partes (28,4%), produtos farmacêuticos (11,18%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,96%), derivados de petróleo (5,27%), produtos químicos orgânicos (4,91%), plásticos e suas obras (4,52%).

O resultado do comércio entre os dois países tem favorecido a  Itália nos últimos anos. Em 2019, as importações brasileiras provenientes da Itália superaram as exportações para aquele país em USD 892,1 milhões.

Fonte: Ministério Brasileiro da Economia – Secex

Investimento Direto

Se são verificados poucos investimentos brasileiros na Itália, a via oposta mostra um cenário bastante diferente, colocando o Brasil como um dos principais destinos dos investimentos italianos no exterior.

Um recente levantamento realizado pela Embaixada da Itália no Brasil identificou 972 empresas italianas em território brasileiro, entre unidades produtivas e escritórios de representação comercial e de prestação de serviços de assistência técnica.

A maioria segue a distribuição industrial do Brasil e está concentrada nas regiões Sul e Sudeste, sendo que 54% estão estabelecidas somente no estado de São Paulo, seguido muitos pontos percentuais depois por Minas Gerais (9%) e Rio de Janeiro (8%). 

No tocante aos setores de atividades, a grande maioria (308) atua no segmento de máquinas e equipamentos, com a forte presença de empresas de pequeno e médio porte, que se distinguem no cenário econômico por sua alta especialização, flexibilidade e agilidade, bem como pela natural vocação para trabalhar em ambientes internacionais, nos quais garantem indiscutível posição de liderança.

São diversas as áreas da indústria brasileira em que os italianos estão presentes com seus equipamentos desde a abertura ao comércio internacional, no início dos anos 90, promovendo uma verdadeira revolução e colaborando para seu desenvolvimento e expansão, como é o caso da indústria cerâmica de revestimentos, formada por inteiras linhas de produção apenas com máquinas e equipamentos italianos, ou da indústria de rochas ornamentais, que exporta sua produção exótica para todo o mundo, extraída e processada com tecnologia de empresas italianas que acreditaram no potencial do Brasil e aqui resolveram estabelecer suas filiais para melhor atender seus clientes.

E como esses, tantos outros exemplos podem ser citados na indústria de couros e calçados, do processamento de vidros planos, do corte e dobra de chapas, processo fundamental na fabricação de automóveis, aviões, implementos rodoviários e eletrodomésticos nos quais prensas e guilhotinas italianas fazem a diferença.

São também numerosas as empresas que atuam no segmento de serviços (155), automóveis e autopeças (82), produtos químicos/petroquímicos (59) e, naturalmente, alimentos e bebidas (59), segmento que, junto com o da moda e do design, fazem a fama dos italianos em todo o mundo.

Há outros ainda que, apesar de limitados em termos do número de empresas presentes, são relevantes em termos de investimentos aportados, como é o caso do setor farmacêutico, de telecomunicações, de logística e infraestrutura e, mais recentemente, de energia.

Segundo recente relatório preparado pela CAMEX – Câmara de Comércio Exterior, ente ligado ao Ministério Brasileiros da Economia, no período compreendido entre 2003 e o primeiro semestre de 2019, foram realizados 94 projetos de empresas italianas estabelecidas no Brasil, num total investido de US$ 20,9 bilhões.

O referido estudo também aponta para o fato dos investimentos italianos apresentam trajetória peculiar, apresentando-se até 2017 com valores relativamente reduzidos se comparados com os de outros importantes países investidores no Brasil, com pequenos registros mais importantes em 2005 (telecomunicações), 2008 (transporte) e 2015 (saneamento). Em 2018, porém, e no primeiro trimestre de 2019, os investimentos italianos no setor elétrico foram bastante expressivos, merecendo destaque, igualmente, os investimentos realizados no primeiro semestre de 2019, no setor industrial.

Entre os investimentos mais representativos anunciados em 2019 destacam-se os da Fiat Chrysler, de US$ 1,9 bilhões, para ampliação da capacidade produtiva da planta da em Goiana (PE), e de R$ 2,1 bilhões, para implantação de uma nova linha de motores turbo em Betim (MG). Também relevante o da subsidiária brasileira de energia renovável do grupo italiano Enel, que iniciou investimento, avaliado em US$ 40 milhões, para elevação da capacidade total instalada do parque eólico Delfina (BA).

A grande maioria das empresas italianas com presença direta no Brasil é originária de províncias italianas com segmentos industriais bastante desenvolvidos, como é o caso de Milão (17%) e Turim (8%), mas com forte presença também de empresas de Bergamo, Brescia, Roma e Vicenza.

Fonte: Embaixada da Itália, Banco Central do Brasil, Ministério Brasileiro da Economia e Instituto Estatístico Italiano (Istat).